AS VEZES APENAS...


Quando a gente se perde, onde nos encontramos? Quando não sabemos aonde nos vimos pela ultima vez como procurar? Porque mudamos tanto e, nem sempre, para melhor? Buscamos algo dentro da gente, o guardamos e em compensação nos perdemos.

Quando nos doamos a uma causa e esta se vê por terra, caída, como reergue-la?

Perdi a mim mesmo dento de mim. Meus pensamentos barram a minha procuram. Empecilhos aparecem a minha frente e me trazem duvidas.

Quando disseram para me doar, me doei, quando disseram para me recolher, não consegui mais pois me espalhei.

Quando dizem que não me reconhecem mais, não apenas fisica mas psicologicamente percebo o quão baixo desci na escala da humanidade. Quanto me rebaixei. O quando me esqueci. O quando pensei no outro e não em mim. O quanto me esqueci.

E hoje quero me reencontrar? Fazer as pazes comigo mesmo dará certo nesta etapa que cheguei?

Dizem que ao chegar no fundo do poço o impulso para sair pode ser maior... não consigo ver nada mais que a escuridão e um palmo que a cada dia desço mais.


Quero mesmo me encontrar? Quero mesmo ser encontrado? As vezes quero apenas sumir. As vezes quero apenas ser notado. As vezes quero apenas ser valorizado.As vezes quero ser olhado com olhos diferentes, não olhos acostumados. As vezes quero que vejam em mim o que vejo nos outros. As vezes preciso que façam por mim, um pouco daquilo que faço pelos outros.  As vezes apenas...

Como segurar uma lagrima?


A lágrima insiste em escorrer pelo rosto que um dia apenas quis sorrir. Ela faz-se necessária, já que o sentimento que esta no peito, ali não cabe mais. Extravasa. Vaza. Escorre. Lava.

Porque ainda permitimos que o meio exterior machuque tanto o nosso mundo interior? As coisas aqui estavam tão bem. Estava tudo ocorrendo como o planejado, e apenas um olhar, uma palavra, uma ligação, uma imagem destrói seus sonhos e esperanças.

Não culpo ninguém por isso, culpo a mim mesmo, pois eu me permiti colocar na mão de alguém que não sabe o que fazer consigo mesmo. E aos poucos me sufoca, me larga, me puxa, me solta e em todas essas indas e vindas me machuca mais.

As lagrimas escorrem numa velocidade e numa proporção que não tenho comom controla-las. Elas vem. Limpo uma, mas mais delas vem atrás para resgata-la e faze-la lembrar. Fazer-me lembrar que um dia fui feliz.

Porque a minha felicidade acabou desta forma, e em forma de lagima escorre por mim, percorre meu corpo e se vai... parece que nunca mais vai voltar.

Como posso controlar meus sentimentos? O que faço para não chorar? Como segurar uma lagrima que insiste em cair pelo mesmo rosto que um dia fizestes sorrir.

08/09/3013

MANHÃS

Começa setembro. Vi os seus primeiros raios de sol surgirem juntamente com meus melhores amigos: cigarro e café.

Como pode, eu, diferente da maioria das outras pessoas não sentir nada de sono durante a noite. Vou dormir na hora em que os outros estão levantando? A cama me traz pensamentos que não queria ter... e com isso vou caindo numa fossa terrível. Fossa da qual Maysa, Paula Toller, Ana Carolina e até Clarice 
Falcão começam a fazer sentido na minha cabeça e compreendem a minha dor.

Detesto a luz do dia... acho que por isso durmo durante o dia. O sol me cega. Sinto como se a minha vida tivesse sido regada a ele, pois não enxergo mais nada no meu caminho. Visa pessoal, sentimental, profissional e espiritual tem sido cegadas, já não sei aonde vou, onde piso, quem é de confiança, quem merece minha atenção e quem eu sou.

Perdido de dia. Desconsolado a noite.

Minha companhia continua aqui firme. Uma caneca após outra de café. Um cigarro pós outro. E juntos nos fazemos companhia. Juntos nos acabamos. Juntos nos terminamos.

Até quando será assim? Estou como Vanusa: "querendo sair, querendo falar, querendo ensinar meu vizinho a cantar nas manhãs de setembro".... mas nem eu sei fazer isso, não sei mais a musica e nem o seu tom, como poderei eu ensinar se primeiro devo aprender?


Preciso querer sair, preciso querer falar, preciso aprender a cantar, preciso aprender a ensinar, para então poder ensinar meu vizinho a cantar nas manhãs de setembro.... nas manhãs de setembro, nas manhãs.

DESAMOR A VIDA

Será que me odeio tanto assim? Será que o meu desamor próprio conseguiria me derrubar, me pro para baixo, me fazer cair mais? Será que com todo esse desamor, essa falta de auto estima ainda consigo amar alguém e me doar por completo?

Sei que não podemos dar aquilo que não temos. Como posso dar amor se nem ao menos isso sinto por mim? Nas madrugadas de insônia regadas a cigarro, café e outras tarjas pretas percebo o quanto estou destruindo meu corpo. Quando olho os relacionamentos nada saúdaveis que me cercam percebo o quanto acabo com minha lama e espirito.

Onde está a minha paz se não consigo nem ao menos saber onde estou? Onde posso chegar se caí no meio de um labirirnto e nem forças tenho para me por de pé novamente?

Sempre pensei grande, quis ser grande, ser mais, ter mais.... percebo que fracassei. Me reduzi a vícios, pois eles me compreendem... enquanto uns estimulam meu fim outros tazem um alivio para esta alma fatigada.

Meu corpo está cansado, minha mente não para. De que jeito vou estar daqui há algum tempo? Estarei em algum lugar daqui a pouco tempo? Serei parte de alguma coisa?

Por enquanto sou o que restou de mim.

18/08/3013

INVERNO

Hoje eu vi o sol aparecer em meio a nuvens. Não sei o que está mais cinza e carregado, se o tempo la fora ou os sentimentos aqui dentro.
Vejo aquele sol e penso em quantas vezes mais terei de ve-lo surgir e desaparecer sem que nada mude neste intervalo de tempo. O vazio permanece firme em mim. O inverno está por acabar dando espaço a primavera e me pergunto também se o inverno interno irá logo acabar.
As flores sorrindo, os amores surgindo, as coisas acontecendo.
Hoje, sinto como se corresse atrás de algo ou alguém no escuro. Coisa tal que não sei o que é, de que forma virá e como será. Mas ao tocar no escuro e sentir algo, fujo. Medo, puro medo.
Medo do que virá. Bom ou ruim? Não sei. As nuvens cinzas que percorrem a minha cabeça e a carregam de duvidas, perguntas, questionamentos e medos não me deixam ver nada a minha frente. O tempo nublado dentro de mim acaba me isolando do mundo.
Sinto falta de um pedaço de mim que nem sei dizer o que é.
Enquanto isso, meu cigarro e meu café permanecem firmes ao meu lado. Companhia eterna e sem compromisso algum. Sem cobranças. Apenas um curtindo o outro. Um aproveitando o lado bom e o lado ruim de ambos. Eles de mim e eu deles.
A fumaça que me acalma nas inquietudes é a mesma que está me matando aos poucos. O café que faz com que salive ao sentir o seu sabor é o mesmo que me impede de dormir uma noite inteira de sono.
E em meio a fumaça, insônia, medo, nuvens escuras, tempo nublado e inverno está alguém que se sente frágil, perdido, esquecido, desamado, amargurado, solitário e por mais que acompanhado, sente-se sozinho e sem amor, esse alguém sou eu.
Muito prazer, eu sub-existo!!!!!

06/08/2013

O que cabe na palavra mãe?


Mãe... palavra pequena e doce, mas carrega em si todo o amor e carinho infinito. Cabe nesta palavra a beleza daquele sorriso que só uma mãe sabe dar. Cabe também a gargalhada de alegria que invade a casa quando algo acontece. Cabe a proteção quando o filho ou filha está doente, carente e até mesmo ausente. Cabe a preocupação quando o filho vai pra aula, trabalho ou passeio. Preocupação que se mostra quando ela, de joelhos, pede a Deus que proteja aquele pedacinho dela que não está ali.
Na palavra mãe cabe toda a repreensão necessária para um adulto compromissado e respeitado se tornar. Cabe também aquele olhar de reprovação quando algo não deveria ser feito mas já foi. Cabe a palmada dada na hora certa para a correção de erros que mais tarde, não fosse aquela palmada, teria se tornado uma falha de caráter.
Mãe... nesta junção de letras cabe um porto seguro. Um lugar que sempre poderemos voltar, ir e vir, aonde sempre encontraremos abrigo independente da idade, distancia, ou qualquer situação que nos tenha separado. Cabe também um lar dentro desta palavra, um ambiente , não só composto por paredes e teto, mas sim composto de amor, companhia, alegria, tempero, carinho, correção, compreensão. Cabe o calor, quando o frio deste mundo toma conta do nosso corpo e coração.
Na palavra mãe cabe a compreensão, a aceitação. Quando todos viram as costas ela abre aquele abraço que te cobre, protege, te impermeabiliza perante aos comentários, criticas e todo o mal que vem dos que nos cercam.
Mãe é a palavra mais completa, mais cheia de significados, e quanto mais o cabelo desta pessoa fica ralinho e branco mais significado agrega.
Dentro de tantos significados cabe o nome, que para mim é o mais lindo e o que mais preenche o verdadeiro sentido da palavra mãe: ILENA.
Ilena é tudo o que uma mãe representa, é e deve ser. Hoje, já adulto, levando a vida com as minhas próprias pernas não deixo de pensar na complexidade deste nome... nome que me  carregou em seu ventre, me alimentou quando pequeno, fez minhas vontades mesmo tendo que abrir mão de alguma coisa para si, que se entregou de corpo e alma na criação de um ser que hoje olha para trás e não tem palavras para agradecer tudo o que ela fez e ainda faz.
Ilena, te carregarei sempre em meu coração e onde eu for ouvirei tua voz, conselhos, dicas e criticas pois sei que só fazes isso porque a tua missão é ser a mão de Deus aqui na  terra guiando o caminho que devo seguir.
11/05/2013

PELE E PELOS


A sensação de perda é a pior que poderíamos sentir. Perder alguém que amamos é a dor que nos corrói por dentro, nos desmorona. Não temos como disfarçar a tristeza dessa perda.

Na morte de alguém querido, entendemos que a vida é um ciclo: tudo começa e termina. Sabemos que a pessoa que tanto amamos não está ali por motivos de força maior. E quando perdemos a pessoa que amamos por vontade dela própria?

O que fazemos quando a pessoa que mais amamos no mundo pára, e em silencio diz que acabou. Ela decidiu sair, decidiu nos abandonar. Não quis mais estar aqui ao nosso lado.

Ficamos sem chão e paredes, perdemos a sentido da nossa fraca existência e nos enclausuramos num rio de magoas, tristezas e incertezas. As vezes a enxurrada de sentimentos é tão grande que estra-vaza nosso interior e se mostra como lagrimas caindo pela face. Aquela face que um dia foi acariciada, beijada, lambida, sentida, amada. Hoje é apenas uma face que parece que logo vai ser esquecida ou pior: trocada.

Aqueles beijos não fazem mais sentido? Meu toque já não te satisfaz? O meu amor já não é o suficiente? O que poderia eu fazer? Trazer para dentro de mim a lagrima que escorre pela face... uma gotinha que vem carregada de dor, magoa, frustração  medo, solidão e saudade. Recolher todos os beijos que carinhosamente dei em todo o seu corpo? Retirar as minhas digitais do seu corpo inteiro?

Pés, pernas, coxas, nádegas  barriga, dorso, peito, braços, pescoço, rosto e cabelos? Onde mais te toquei? Posso ter tido o seu corpo inteiro, tocado o seu corpo inteiro, mas não tive o seu coração por inteiro, acho que nem ao menos consegui toca-lo.

Sentia bate-lo, mas não sabia que o motivo de suas batidas não era a minha existência e nem o meu amor.
Teu perfume ainda está impregnado na nossa casa, ou melhor, minha casa. O cheiro do nosso amor está grudado em nosso lençol, ou devo dizer meu lençol?

Tua mão firme a me tocar. A minha que delicadamente acaricia cada pedaço, cada parte de você.  Minha perna fraqueja ao pensar que não sentirei tua respiração pesada junto a minha. Teu corpo novamente junto ao meu. As pernas que um dia me ergueram do chão, me levantaram para o alto, me mostraram que correr é melhor que caminhar hoje seguem em seus passos sozinhas... e as minhas voltam a fraquejar.

Minha pele nos teus pelos  meus pelos em tua pele. Minha boca na tua. A tua boca na minha. Lambidas... mordidas... chupadas... e  juntamente com a seiva da minha virilidade foi sugada a minha alma pela tua boca, pelo teu corpo e alma.

Onde saberei separar o eu de você, se você estava completamente dentro de mim. Não sei mais onde você está pois sinto só você dentro de mim, vivo em mim, pulsando, sentindo, curtindo, gozando, sendo....

Quem somos nós hoje? Você continua vivo, com duvidas porém você mesmo. E eu? Eu sou aquilo que sobrou de você.

Somente as sobras daquilo que você foi e que hoje quer esquecer. Mas uma coisa eu te peço: não me obrigue e te esquecer enquanto o teu gosto não sai da minha boca e o toque das tuas mãos no meu corpo continua quente.
17/10/2012