MANHÃS

Começa setembro. Vi os seus primeiros raios de sol surgirem juntamente com meus melhores amigos: cigarro e café.

Como pode, eu, diferente da maioria das outras pessoas não sentir nada de sono durante a noite. Vou dormir na hora em que os outros estão levantando? A cama me traz pensamentos que não queria ter... e com isso vou caindo numa fossa terrível. Fossa da qual Maysa, Paula Toller, Ana Carolina e até Clarice 
Falcão começam a fazer sentido na minha cabeça e compreendem a minha dor.

Detesto a luz do dia... acho que por isso durmo durante o dia. O sol me cega. Sinto como se a minha vida tivesse sido regada a ele, pois não enxergo mais nada no meu caminho. Visa pessoal, sentimental, profissional e espiritual tem sido cegadas, já não sei aonde vou, onde piso, quem é de confiança, quem merece minha atenção e quem eu sou.

Perdido de dia. Desconsolado a noite.

Minha companhia continua aqui firme. Uma caneca após outra de café. Um cigarro pós outro. E juntos nos fazemos companhia. Juntos nos acabamos. Juntos nos terminamos.

Até quando será assim? Estou como Vanusa: "querendo sair, querendo falar, querendo ensinar meu vizinho a cantar nas manhãs de setembro".... mas nem eu sei fazer isso, não sei mais a musica e nem o seu tom, como poderei eu ensinar se primeiro devo aprender?


Preciso querer sair, preciso querer falar, preciso aprender a cantar, preciso aprender a ensinar, para então poder ensinar meu vizinho a cantar nas manhãs de setembro.... nas manhãs de setembro, nas manhãs.

DESAMOR A VIDA

Será que me odeio tanto assim? Será que o meu desamor próprio conseguiria me derrubar, me pro para baixo, me fazer cair mais? Será que com todo esse desamor, essa falta de auto estima ainda consigo amar alguém e me doar por completo?

Sei que não podemos dar aquilo que não temos. Como posso dar amor se nem ao menos isso sinto por mim? Nas madrugadas de insônia regadas a cigarro, café e outras tarjas pretas percebo o quanto estou destruindo meu corpo. Quando olho os relacionamentos nada saúdaveis que me cercam percebo o quanto acabo com minha lama e espirito.

Onde está a minha paz se não consigo nem ao menos saber onde estou? Onde posso chegar se caí no meio de um labirirnto e nem forças tenho para me por de pé novamente?

Sempre pensei grande, quis ser grande, ser mais, ter mais.... percebo que fracassei. Me reduzi a vícios, pois eles me compreendem... enquanto uns estimulam meu fim outros tazem um alivio para esta alma fatigada.

Meu corpo está cansado, minha mente não para. De que jeito vou estar daqui há algum tempo? Estarei em algum lugar daqui a pouco tempo? Serei parte de alguma coisa?

Por enquanto sou o que restou de mim.

18/08/3013

INVERNO

Hoje eu vi o sol aparecer em meio a nuvens. Não sei o que está mais cinza e carregado, se o tempo la fora ou os sentimentos aqui dentro.
Vejo aquele sol e penso em quantas vezes mais terei de ve-lo surgir e desaparecer sem que nada mude neste intervalo de tempo. O vazio permanece firme em mim. O inverno está por acabar dando espaço a primavera e me pergunto também se o inverno interno irá logo acabar.
As flores sorrindo, os amores surgindo, as coisas acontecendo.
Hoje, sinto como se corresse atrás de algo ou alguém no escuro. Coisa tal que não sei o que é, de que forma virá e como será. Mas ao tocar no escuro e sentir algo, fujo. Medo, puro medo.
Medo do que virá. Bom ou ruim? Não sei. As nuvens cinzas que percorrem a minha cabeça e a carregam de duvidas, perguntas, questionamentos e medos não me deixam ver nada a minha frente. O tempo nublado dentro de mim acaba me isolando do mundo.
Sinto falta de um pedaço de mim que nem sei dizer o que é.
Enquanto isso, meu cigarro e meu café permanecem firmes ao meu lado. Companhia eterna e sem compromisso algum. Sem cobranças. Apenas um curtindo o outro. Um aproveitando o lado bom e o lado ruim de ambos. Eles de mim e eu deles.
A fumaça que me acalma nas inquietudes é a mesma que está me matando aos poucos. O café que faz com que salive ao sentir o seu sabor é o mesmo que me impede de dormir uma noite inteira de sono.
E em meio a fumaça, insônia, medo, nuvens escuras, tempo nublado e inverno está alguém que se sente frágil, perdido, esquecido, desamado, amargurado, solitário e por mais que acompanhado, sente-se sozinho e sem amor, esse alguém sou eu.
Muito prazer, eu sub-existo!!!!!

06/08/2013

O que cabe na palavra mãe?


Mãe... palavra pequena e doce, mas carrega em si todo o amor e carinho infinito. Cabe nesta palavra a beleza daquele sorriso que só uma mãe sabe dar. Cabe também a gargalhada de alegria que invade a casa quando algo acontece. Cabe a proteção quando o filho ou filha está doente, carente e até mesmo ausente. Cabe a preocupação quando o filho vai pra aula, trabalho ou passeio. Preocupação que se mostra quando ela, de joelhos, pede a Deus que proteja aquele pedacinho dela que não está ali.
Na palavra mãe cabe toda a repreensão necessária para um adulto compromissado e respeitado se tornar. Cabe também aquele olhar de reprovação quando algo não deveria ser feito mas já foi. Cabe a palmada dada na hora certa para a correção de erros que mais tarde, não fosse aquela palmada, teria se tornado uma falha de caráter.
Mãe... nesta junção de letras cabe um porto seguro. Um lugar que sempre poderemos voltar, ir e vir, aonde sempre encontraremos abrigo independente da idade, distancia, ou qualquer situação que nos tenha separado. Cabe também um lar dentro desta palavra, um ambiente , não só composto por paredes e teto, mas sim composto de amor, companhia, alegria, tempero, carinho, correção, compreensão. Cabe o calor, quando o frio deste mundo toma conta do nosso corpo e coração.
Na palavra mãe cabe a compreensão, a aceitação. Quando todos viram as costas ela abre aquele abraço que te cobre, protege, te impermeabiliza perante aos comentários, criticas e todo o mal que vem dos que nos cercam.
Mãe é a palavra mais completa, mais cheia de significados, e quanto mais o cabelo desta pessoa fica ralinho e branco mais significado agrega.
Dentro de tantos significados cabe o nome, que para mim é o mais lindo e o que mais preenche o verdadeiro sentido da palavra mãe: ILENA.
Ilena é tudo o que uma mãe representa, é e deve ser. Hoje, já adulto, levando a vida com as minhas próprias pernas não deixo de pensar na complexidade deste nome... nome que me  carregou em seu ventre, me alimentou quando pequeno, fez minhas vontades mesmo tendo que abrir mão de alguma coisa para si, que se entregou de corpo e alma na criação de um ser que hoje olha para trás e não tem palavras para agradecer tudo o que ela fez e ainda faz.
Ilena, te carregarei sempre em meu coração e onde eu for ouvirei tua voz, conselhos, dicas e criticas pois sei que só fazes isso porque a tua missão é ser a mão de Deus aqui na  terra guiando o caminho que devo seguir.
11/05/2013

PELE E PELOS


A sensação de perda é a pior que poderíamos sentir. Perder alguém que amamos é a dor que nos corrói por dentro, nos desmorona. Não temos como disfarçar a tristeza dessa perda.

Na morte de alguém querido, entendemos que a vida é um ciclo: tudo começa e termina. Sabemos que a pessoa que tanto amamos não está ali por motivos de força maior. E quando perdemos a pessoa que amamos por vontade dela própria?

O que fazemos quando a pessoa que mais amamos no mundo pára, e em silencio diz que acabou. Ela decidiu sair, decidiu nos abandonar. Não quis mais estar aqui ao nosso lado.

Ficamos sem chão e paredes, perdemos a sentido da nossa fraca existência e nos enclausuramos num rio de magoas, tristezas e incertezas. As vezes a enxurrada de sentimentos é tão grande que estra-vaza nosso interior e se mostra como lagrimas caindo pela face. Aquela face que um dia foi acariciada, beijada, lambida, sentida, amada. Hoje é apenas uma face que parece que logo vai ser esquecida ou pior: trocada.

Aqueles beijos não fazem mais sentido? Meu toque já não te satisfaz? O meu amor já não é o suficiente? O que poderia eu fazer? Trazer para dentro de mim a lagrima que escorre pela face... uma gotinha que vem carregada de dor, magoa, frustração  medo, solidão e saudade. Recolher todos os beijos que carinhosamente dei em todo o seu corpo? Retirar as minhas digitais do seu corpo inteiro?

Pés, pernas, coxas, nádegas  barriga, dorso, peito, braços, pescoço, rosto e cabelos? Onde mais te toquei? Posso ter tido o seu corpo inteiro, tocado o seu corpo inteiro, mas não tive o seu coração por inteiro, acho que nem ao menos consegui toca-lo.

Sentia bate-lo, mas não sabia que o motivo de suas batidas não era a minha existência e nem o meu amor.
Teu perfume ainda está impregnado na nossa casa, ou melhor, minha casa. O cheiro do nosso amor está grudado em nosso lençol, ou devo dizer meu lençol?

Tua mão firme a me tocar. A minha que delicadamente acaricia cada pedaço, cada parte de você.  Minha perna fraqueja ao pensar que não sentirei tua respiração pesada junto a minha. Teu corpo novamente junto ao meu. As pernas que um dia me ergueram do chão, me levantaram para o alto, me mostraram que correr é melhor que caminhar hoje seguem em seus passos sozinhas... e as minhas voltam a fraquejar.

Minha pele nos teus pelos  meus pelos em tua pele. Minha boca na tua. A tua boca na minha. Lambidas... mordidas... chupadas... e  juntamente com a seiva da minha virilidade foi sugada a minha alma pela tua boca, pelo teu corpo e alma.

Onde saberei separar o eu de você, se você estava completamente dentro de mim. Não sei mais onde você está pois sinto só você dentro de mim, vivo em mim, pulsando, sentindo, curtindo, gozando, sendo....

Quem somos nós hoje? Você continua vivo, com duvidas porém você mesmo. E eu? Eu sou aquilo que sobrou de você.

Somente as sobras daquilo que você foi e que hoje quer esquecer. Mas uma coisa eu te peço: não me obrigue e te esquecer enquanto o teu gosto não sai da minha boca e o toque das tuas mãos no meu corpo continua quente.
17/10/2012

LUZ, CÂMERA E AÇÃO


Tem dias que o coração dói. Na barriga um vazio. na cabeça mil pensamentos. Ao nosso lado, ninguem.
Não sabemos de onde vem essa sensação de medo, solidão, perda, roubo, furto e quase uma agrassão física por parte daquilo que sentimos dentro.
A cratera enorme que se abre dentro da gente não pode ser preenchida com terra, agua e nem fogo... da mesma forma que o trabalho, amigos, bebida e nem dinheiro acabam com este vazio. Só voce sente, só você enxerga, só voce vive.
Nosso olhar não repousa em lugar algum, fica vago... em cada canto que pára algo o fez lembrar de uma perda, de alguem que se foi, alguem que não está mais aqui,
Como memorias presas num diario, temos a sensação de estarmos perto, mas isso não passa de mera ilusão. Um filme bom que acabou. Um doce maravilhoso do qual provamos e não conseguimos mais encontra-lo. Mas o filme acabou, o doce terminou e as paginas do diario são frias, secas e não mostram o calor que tinha a presença da pessoa certa no momento ideal.
Voce já rolou naqueles lençois que hoje sinto suaves e leves sobre mim, mas que assim como eu buscam e querem o teu calor, o teu suor, o teu cheiro que por muito tempo ali ficou impregnado.
O travesseiro que suportou as tuas ideias, lagrimas e o peso de muitas coisas que deveriam ser feitas e não foram hoje chora pela falta que as ideias malucas fazem.
As roupas que um dia vestiram tão bem o teu corpo permanecem aqui, e nem no meu corpo elas caem tão bem. Parecem fora de contexto, sem proposito ou ideal.
O meu corpo que hoje, tão surrado, lembra das sensações e desejos que você o fez sentir clama pelo teu toque, chora pelo desejo do teu calor e busca algo que o acalme da abstinencia que você causou, pois droga nenhuma no mundo causa tanta dependencia quanto um amor mal acabado, como um romance que se esvai e não tem mais o brilho que um dia teve.
E o pior de tudo, é saber que esse amor se foi para outro amor. Que hoje busca em outro corpo o encaixe que apenas vocês tinham. Busca em outros lençois o aconchego que os nossos traziam.
Nosso filme acabou, saiu de cartaz sem a pré estreia, sem o record de bilheterias pois apenas nós dois o assistimos, porém hoje a sala de cinema vazia me mostra que nunca vi esse filme acompanhado, mostra que sempre sozinho estive.
Tudo foi uma mera ilusão. um truque de imagem. um efeito especial criado para dar mais emoção a minha vida que continua uma mesmisse.
Sem você, os creditos do meu filme serão nulos, pois só com você eu conseguiria ser premiado por melhor roteiro, atuação, enredo e protagonista pois voce é aquilo que falta para mim: a historia a ser contada.
04\07\2012

RECEITA PARA O AMOR


Nos perguntamos onde esta o nosso amor? Que caminho tomou? Existe alguem separado para nós, reservado lá num cantinho para chegar no momento certo? Eu acredito que não.

O amor é algo sublime, chega quando menos se espera e se vai aos pouquinhos. Aquela historia de que se não era eterno não era amor de verdade é pura ilusão. Hoje se ama, amanha se odeia, depois se esquece e mais tarde torna-se saudade aquele conjunto de sentimentos.

Acima de tudo, o amor é compreensão, companheirismo, carinho, amizade, sincedidade, cumplicidade. O amor não é um sentimento, é um conjunto de sensações e emoções que tornam aquela pessoa comum especial, querida, desejada, e os momentos com ela, maravilhosamente intensos.

Já me pus contra o amor, já me pus a favor do amor, mas apenas sabendo aprecia-lo posso dizer com toda a certeza que o amor deve ser saboreado.

O amor não é um lanche de fast food, onde a gente chega, senta, come e se vai. O amor é uma comida tipida da felicidade, exotica, citrica, que deve ser sentida em toda a sua complexidade, com todo o seu tempero: sal, cebolinha, açucar, canela e também pimenta. Comida exotica. Comida necessaria. Alimentação completa.

Estar com a pessoa amada pode ser a melhor coisa do dia, mas ao por a cabeça no travesseiro e saber que existe alguem que pensa e se importa com você é muito melhor. Estar junto não significa estar perto. Ama-se mesmo que de longe, completa-se mesmo com a distancia.

Amor tem que ser vivido, com a calma e a necessidade de senti-lo como um todo.

Paixão queima, é fogo. Amor esquenta, é cozimento.

Viver amor, sentir amor, comer amor, respirar amor... ter amor e por fim... Ser amado! Essa é a receita do amor.
06\06\2012