SOU FELIZ E PENSO QUE SOU LOUCO

Sou uma pessoa ruim ou sou uma pessoa boa? Você acredita na loucura de um ser humano? O que é a loucura? Você se considera um louco? Quem é louco pra você?
Por muitas vezes e de várias pessoas ouvi as palavras: Tu é louco e pensa que é feliz! E depois de muita reflexão percebi que realmente sou louco. ...me chamam de louco e não tiro a razão de nenhuma delas. E realmente reconheço isso.
Sou louco quando digo a alguém aquilo que deveria ser dito mas ninguém tem coragem. Sou louco quando ouço meu coração fazendo aquilo que ele pede e não faço como outros que deixam a razão somente guia-los. Sou louco quando busco a minha felicidade enquanto outros ficam olhando o tempo passar e esperam que ele mude alguma coisa. Sou louco quando tento mudar a realidade a minha volta, tornando as coisas mais alegres e divertidas e não me acostumo com aquilo que é lançado a minha frente engolindo sem nada questionar como outros fazem.
Percebi que os outros me consideram louco por fazer aquilo que tenho vontade. Por não seguir um padrão estabelecido pela sociedade como uma conduta normal. Não espero que as pessoas sejam como eu sou, mas quero respeito. Respeito por mim e pela minha loucura.
Por muitas vezes fui a boca daqueles que não são loucos graças a minha loucura. Posso ser a minha própria boca, meus braços e meus pés. Minha realidade quem faz sou eu e se me sinto bem dentro dessa realidade quem pode me dizer que estou errado. Meus delírios fazem com que eu busque um objetivo para continuar a caminhada... delírios que as vezes explicam coisas sobre mim ou sobre como vejo a vida.
No meio desses delírios surgem algumas vezes vozes que se dizem minhas amigas... ajudadoras, mas na verdade só me atrapalham, me puxam pra trás... me trazem a tona o passado que não deve ser lembrado e revivido. Vozes que procuro deixar num canto, pois elas não se calam e não se cansam de me dizer pra onde ir... o que fazer... como viver... vozes que são apenas vozes... não tem coragem para mostrarem nem os seus rostos e nem suas verdadeiras intenções.
Um hospício seria minha solução? Não. A minha loucura criou paredes tão imensas ao meu redor que a realidade em que vivo prendeu-me num hospício particular. Decidi ficar encarcerado do que me deixar enlouquecer com as loucuras dos outros ao meu redor. Assim como num hospício não existem loucos, apenas existem pessoas que não conseguiram conviver com a loucura ao seu redor... dentro de mim ocorre o mesmo.
Até quando terei de viver preso? Poderei sair algum dia? Sim. Estou saindo. As pessoas me olham com espanto. Não estou nem aí... Se a minha Loucura tornou-se minha realidade quem poderá dizer que estou errado.
Cada louco com a sua loucura... A minha me faz feliz... muito mais feliz que aqueles que seguem protocolos para não serem rotulados.... muitas vezes para passar por invisíveis.
Nasci para ser visto. Não para ser escondido. Vou me mostrar. Mostrar as loucuras de dentro de mim. Quem gostar que se junte ao meu circo dos horrores e sejamos felizes... quem não gostar, se junte as vozes que não se calam , mas que a partir de agora não serão mais ouvidas...
Muitas vezes, vozes são ruídos de ações que poderiam ter sido boas. Poderiam... se a lucidez não as tivessem impedido de gritar bem alto, viver e serem felizes...
Sou louco, porém feliz dentro da minha própria loucura. E você? É lúcido ou feliz?
12/09/2010

ARMÁRIO

Já ouviu falar no monstro do armário? Já teve medo do monstro do armário? Nunca tive medo do monstro do armário, aliás, deveria, pois ele vive numa bagunça imensa... tudo está fora do lugar... calças com camisas, blusas com calções... e meu armário reflete exatamente sobre a minha mente, meus pensamentos e sentimentos... mas apesar disto, meu medo sempre foi da noite...
A noite nunca foi minha amiga... todo final de tarde estava lá ela... pronta pra me envolver... só porque naquele momento eu estaria sozinho. Ela sempre foi covarde. Se aproveita da situação pra me trazer a lembranças coisas que deveriam permanecer no passado. Fantasmas de acontecimentos dos quais nem a lembrança ou o rastro deveria haver. E por mais que o tempo passe esse monstro ainda me assusta.
São 4 e 15 da manhã... estou acordado ainda. Meus olhos ardem e meu corpo dói. Mais uma noite em claro. Não consigo descansar. A minha mente vem imagens e pensamentos que ali não deveriam estar, coisas que não deveriam acontecer. As vezes parecem tão reais que saem da minha mente e invadem meu quarto.
Não sei porque me assustam tanto. Os remédios de insônia vão perdendo seu efeito e novamente me vejo cara a cara com a noite. Se pudesse viveria 24horas DO dia NO dia. As sombras se mostram pesadas... densas... uma ânsia dentro de mim... medo... insegurança... tremo... paraliso...
Fico a mercê dos acontecimentos que a noite se coloca a minha frente... travo uma luta diária/noturna com ela... sempre perco. Sou mais fraco que ela. No dia seguinte estou cansado. Não fechei meus olhos e não descansei... e ali volta ela, pronta pra outra batalha... isso ta acabando comigo... com minhas forças... energias.
No dia seguinte... trabalho, aula, telefonemas, corridas, pequenas tarefas... e o dia passa... chega a noite e novamente o sono não vem... to sentindo minhas idéias pesadas... minhas mãos pesadas... meu corpo não responde da mesma forma que antes... to cansado... To desistindo de brigar com a noite... Ela ta me vencendo...
A cama tem sido meu presídio... No claro não descanso... no escuro sinto uma angustia terrível... to ficando sem opções... não sei pra onde correr... o que fazer... Cansaço...
Idéias malucas... noite mal dormida... dias corridos... não sei quanto tempo vou agüentar assim... realmente não sei...
Espero o monstro do armário.. ele é meu companheiro nessas horas de aflição.. só ele para estar acordado comigo enquanto todos a minha volta dormem...
Desejo dormir... quero dormir... descansar... fechar meus olhos e apagar...
Apenas desejo... pois a noite reflete aquilo que existe dentro de mim, escuridão e solidão. Falta de compreensão. Desordem e falta de arrumação. Antes de resolver as coisas dentro de mim, tudo será uma batalha perdida.
Noite passada... batalha perdida... guerra inacabada. Guerra não contra a noite ou a escuridão, mas contra o meu vazio, a minha escuridão. Cadê o monstro do armário? Sumiu... se perdeu na minha escuridão.
Vou entrar no armário. Quem sabe ali o encontre e juntos possamos buscar por uma Nárnia dentro de mim... dentro do armário... longe de tudo... fora da realidade..
12/09/2010

VAGAS ABERTAS PARA FURACÕES

Deparo-me em meio a biblioteca da universidade. Meus olhos não acreditam no que vêem, o livro que despertou um interesse em assuntos de furacões e mudanças, Hilda Furacão de Roberto Drummond. Livro que deu origem a minissérie apresentada pela Rede Globo em 1996.
Fico estonteado não somente pela beleza de Hilda ou pelo enredo de seu romance, mas pela revolução feita por esta pessoa... que na verdade não sabemos se realmente existiu.
Hilda era moça de família, jovem, prestes a completar seus 18 anos, cheia de sonhos e desejos de uma vida simples porém feliz. Totalmente o contrario daquilo que passaria. Sua Madrasta seria cruel e implacável, seria a própria vida. Vitima de fofocas e insinuações falsas sobre sua conduta, é levada pela vida ao Maravilha Hotel, ironia da vida te-la levado a este lugar, o mais baixo possível nas camadas da sociedade de BH, onde se passa este romance.
Hoje, vejo pessoas por aí, possíveis Hilda’s. Pessoas que carregam sonhos e desejos, mas tem medo de se lançarem em busca deles. Preferem viver usando a capa da santidade, da boa educação, da boa família à viverem para correr atrás daquilo que as tornariam felizes.
Maltrata-me o coração ver nas ruas, pessoas que perderam seus sonhos, ou pior, nunca tiveram um para que perdessem. Não sabiam o que buscar por isso não buscaram nada. Hilda também como muitos deles não sabia o que buscar ou onde buscar, mas não se abateu. Buscou por onde a vida a levou. Até encontra-la. E nesse meio tempo não perdeu sua bondade, seu carisma, seu desejo de ver as pessoas desprezadas como seres humanos dignos de estarem ao seu lado.
Não se achava melhor que ninguém. Muito pelo contrario, estar na alta sociedade não a fez melhor que outros, mostrou-lhe que os mais desprezados as vezes são mais sinceros e honestos que os demais.
Classes sociais, cargos, nomes, títulos as vezes fazem com que as pessoas se tornem baixas, inescrupulosas, incapazes de ver o outro como ser humano, somente vêem a necessidade de manter a sua aparência, seu bom nome e sua reputação. Escondem seus defeitos e falhas... condenam aqueles que decidem não esconde-los que se aceitam como humanos passiveis de erros.
Todos nós temos qualidades e defeitos, não exponho os meus defeitos aos 4 cantos do mundo, mas se aparecem não os nego. Não tenho vergonha em admitir que sou falho. Que erro muito com meus amigos, minha família e as pessoas que mais amo. Mas a palavra desculpa serve para que quando eu erre sem perceber, possa de uma maneira ou outra tentar refazer aquilo que desmoronei, justamente por não ser perfeito.
Hilda’s Furacões... Renatho’s Furacões... Maria’s Furacões... José’s Furacões.. onde se encontram eles quando se precisam deles? Estão dentro de cada um de nós, quando decidimos esconder aquilo que somos para manter as aparências, estão dentro de nós quando decidem se vender a padrões baixos para manterem seu nivel e seu bom nome.
Não quero bom nome... não quero me vender à sociedade hipócrita que julga os defeitos do outro e não vê os seus próprios. Quero revolucionar, fazer mudanças em todos ao meu redor... se virar escândalo melhor... mais publicidade. E quem sabe com isso, outros furacões possam aparecer e juntos possamos refazer o caráter de uma sociedade que está maculado com a hipocrisia.
Brisas não fazem mudança... trazem acomodação. Mais furacões!! Preciso ser furacão... Precisamos de furacões... precisamos de pessoas que façam mais aquilo que da na cabeça... aquilo que o coração manda.
Mas não pense que na vida de furacões é tudo maravilha. Quem decide ser furacão é mal falado, é muito mal visto. Justamente por fazer aquilo que as brisas não fazem. E isso incomoda, irrita e por vezes até magoa aqueles que mataram a sua Hilda interior.
Aberta as inscrições para Furacões! Pré requisitos? Incapacidade de se calar diante da injustiça; vontade de ser uma pessoa melhor; vontade de tornar o mundo um lugar melhor; capacidade de ser você mesmo estando sobre pressão e o principal, ver as pessoas como únicas, especiais.
Pronto para assumir a função?
12/09/2010

SAUDADES DO ESPELHO

[...] Um homem não nasce pronto. Ele se faz com dor e sofrimento... é duro porém solitário. [...]
Essa frase ouvi num filme que assisti recentemente. Não me recordo o filme, porém a frase ficou marcada em minha mente. E bate de frente com a realidade a minha volta.
Tive a maior perda da minha vida a quase um ano. Perdi alguém que amava muito, porém estando agora sozinho, tive de aprender a caminhar com minhas próprias pernas. Aprendi ser a minha voz. Aprendi me virar sozinho. Mas as pessoas a minha volta não tiraram as mesmas lições que eu.
A mulher forte que minha mãe tinha se tornado voltou a ser indefesa e apática. Voltou a ser a mesma de antes. Se calar em todas as situações e muitas vezes servir de tapete e nada falar. Desaprendeu a brigar. Desaprendeu a viver. Voltou a ser quem era. Não quis mudar. Se abateu.
Não posso dizer que este fato passa desapercebido por mim. Estava gostando de ver o crescimento da minha mãe. Mas tudo voltou a ser como antes. Os animais que temos em casa, duas cachorrinhas e uma gatinha, voltaram a ser o centro das atenções. Voltaram a ser os objetos da sua vida.
Complicada essa situação pois ela ta perdendo as pessoas a sua volta e não percebe isso. Quando resolvi abrir a boca e alerta-la sobre isso, recebi palavras que me feriram e machucaram. Ouvi que nunca tive respeito e nem educação por nada e nem por ninguém. Quem era eu para cobrar presença e atenção? Ouvi que já estou grandinho e sei me virar sozinho. Mas abraçar a mim mesmo não preenche o meu vazio e minha solidão.
Quem sabe eu sou o filho que saiu de dentro da tua barriga. Pensei... mas não disse nada. Tudo que dissesse seria distorcido e usado contra mim.
Duas reações diferentes quanto a estas atitudes. Minha irmã se calou. Eu tentei abrir a boca. Ambos mal sucedidos em suas decisões. Estamos sozinhos. O braço forte ao qual recorria não está mais estendido. O porto seguro que minha irmã buscava nestas situações foi ocupado por outros e ela também perdeu seu norte.
Tornei-me mais contestador... isso faz mal. Não a mim, mas as pessoas ao meu redor. Minha mãe disse-me que isso incomoda, irrita e não era esse o filho que ela esperava ter. Prometi mudar, ser o filho que ela queria. Não consigo.
Não consigo ser diferente. Não consigo me calar. Não consigo aceitar tudo e baixar a cabeça. Disso ela tira o fato de que não tenho respeito e nem educação. Questionada sobre aquilo que aprendeu com minha avó em 45 anos que viveu ao seu lado a resposta foi dolorosa: aprendi a ser totalmente diferente dela.
Diferente do meu referencial de vida, de ser humano, de cidadã e de mãe.
Não sei o que fazer agora, a quatro dias tenho entrado e saído de casa e a apatia quanto a minha presença tem sido igual. Chego a pensar que se não estivesse aqui a situação seria diferente. Chego a pensar em sumir. Quem sabe assim a memória do filho perfeito fosse refeita em sua cabeça e ela pudesse ao menos imaginar que um dia ele existiu...
Desculpa, não consigo mudar e por não conseguir isso percebo que nunca serei aquilo que ela espera de mim. Posso ter minha faculdade concluída... as melhores notas da turma... o melhor emprego, porém nunca serei o que ela espera de mim...
Vejo minha imagem e não me sinto feliz em me calar quando deveria falar... esse não sou eu... não foi o que aprendi...
Que saudade da minha avó... que saudades da sua força... que saudades de mim quando estava perto dela... que saudades do meu exemplo perfeito... que saudade daquele espelho.


Percebo então que sozinho terei que crescer... dor e sofrimento me fortalecerão... porém sozinho, na solidão
12/09/2010

MEUS EXEMPLOS MORRERAM DE OVERDOSE

Televisão faz parte da minha vida, cresci vendo seus shows, espetáculos, estrelas, mitos, tapete vermelho e por trás disso as manchetes que relatam o lado obscuro após o fechamento das cortinas.
Artistas que admiro do fundo do meu coração tiveram seus momentos de glória, glamour, fama, sucesso, dinheiro, prazeres, ruína, degradação da própria imagem, e seu final. Overdose de si mesmos. Cada um trazendo a sua bagagem emocional...
Marilyn Monroe, uma atriz acima do padrão, porem pouco valorizada em sua época. Uma mulher linda, capaz, competente. O que a levou a ruína? Não sabia do seu potencial. Não tinha noção de que em suas mãos estava a revolução da mulher na TV, no cinema e na musica. Hoje um mito, na época, apenas uma atriz medíocre.
Elvis, grande ator, compositor, cantor, produtor, grande dentre os grandes. Não mudou apenas uma geração, mas mudou o mundo, com seu ritmo novo, seu gingado e claro, seu topete. O que o levou a ruína? Não tinha noção de que apesar de ser um ícone, era apenas um humano mortal, com limitações e dificuldades. Não aceitava isso... achava-se indestrutível, vivia como se fosse ser eterno.
Cazuza, um dom nato para escrever, compor, cantar, presença de peso nos palcos, programas... chegava e tudo se iluminava, sua irreverência, seu humor, seu potencial, sua alegria que irradiava a todos ao redor. O que o levou a ruína? Não sabia o que queria. Queria tudo e não queria nada. Não existe(ia) meio termo para ele. Tudo era extremo.
Raul Seixas, musicas profundas e voz única. Gritava por revolução de uma forma alternativa. Não a convencional. A voz da juventude de sua época... e voz de muitos jovens hoje também. O que o levou a ruína? Chegou aonde queria, e aquilo não trouxe a ele a felicidade esperada. Esperou demais do sucesso e se desencantou com ele quando o reconhecimento de seu trabalho chegou.
Carmem Miranda, atriz fantástica, cantava sambas em filmes de Hollywood. Uma das maiores cantoras, atrizes brasileiras no exterior, apesar de não ser brasileira, mas deixamos assim, ela sentia-se brasileira e amava esse pais. O que a levou a ruína? Conseguiu tudo o que sempre sonhou... destaque tanto para ela como para seu país, no caso o Brasil. Tinha o privilegio de gravar seus filmes em cores... era o sonho de muita gente na época. Ela realizou. Tentou se desprender da personagem abrasileirada baiana e não conseguiu. Tornou-se escrava de seu próprio personagem. Carmem Miranda sem bananas na cabeça e sem samba no pé não tinha valor. Fez dois filmes em preto e branco sem a personagem. Ambos com baixa vendagem e pouca divulgação. Um fracasso seguido de outro. Não bastando isso, um casamento fracassado, seu país que a rejeitou e uma vida presa num personagem caricata.
Não cheguei a acompanhar nenhum deles em vida, mas por admirar seus trabalhos, seus desempenhos de acordo com a época em que viveram e onde conseguiram chegar, tornaram-se exemplos de força, de trabalho e de vitória para mim, mas acima de tudo exemplo do que não devo fazer.
Devo conhecer minha capacidade, não exigir nem mais e nem menos daquilo que sou capaz. Manter a minha humildade, sou apenas um ser humano, não sou eterno e nem estou livre de errar, admitir meu erro, e valorizar quem está ao meu lado. Não viver e extremos, tirar o máximo de proveito de cada situação sem me expor a riscos. Saber aonde quero chegar e quando chegar, estar preparado para receber aquilo que me será dado, não me frustrando com os resultados obtidos. Viver sendo o Renatho e não um personagem criado para agradar a outros. Me livrei do meu personagem, hoje sou eu que faço a minha vida e [...] aquele garoto que ia mudar o mundo... mudar o mundo [...] não vai ficar assistindo a tudo em cima do muro não. Vai mudar o mundo mesmo.


17/08/2010

MEDO DA TUA RESPOSTA

Você já se apaixonou? Não falo de paixão normal, aquela de levar flores, de olhar uma foto e suspirar. Falo de paixão arrebatadora... aquela que arde dentro do teu peito e te consome... queima teu peito e teu corpo. Eu já tive e hoje abro meu coração...
Essa paixão queimou feito fogo na palha. Foram dias incríveis que pareciam intermináveis. Histórias para serem lembradas e se não fossem censuradas até serem lançadas em livros. Livros que variam de conto de fadas até cenas ardentes de encontros maravilhosos. Histórias para crianças e adultos. Cada uma contada de uma maneira, porém com a mesma essência em sua existência. Parecia ser pra sempre... mas não foi. Um dia terminou.
Não me pergunte por que terminou. Da mesma forma que veio, se foi. Pensei ser eu a pessoa certa, mas não fui. Apesar disso não posso dizer que não amei. Amei com toda a força do meu coração.
Não dava pra disfarçar. Todos percebiam a chama que ardia em nós. Iluminando tudo ao redor. Fazendo as coisas terem sentido. Corríamos mundos juntos, mas certo dia, percebemos que não nos enxergávamos mais um no olhar do outro. Porém isso não fez com que aquele desejo diminuísse dentro de mim... ele acalmou, mas não sumiu. Com o tempo pensei que iria passar, iria lembrar menos de tudo isso, mas foi ao contrario... lembro-me cada vez mais.
Sei que você está bem hoje. Passou por outras paixões. Eu também encontrei pessoas por quem me apaixonei, mas nenhuma delas me abraçou ou me deu a mão como você fazia. Por onde ando sinto seu perfume, sinto falta da tua presença, mas ali eu não encontro ninguém... só o espaço deixado por ti e ocupado por mais ninguém.
É difícil olhar hoje em seu olhar e dizer que não sinto nada, pois se disser isso estarei mentindo. Pelo menos a saudade permanece. Meu coração ainda bate em ritmo diferente ao seu lado. Sinto saudade do seu beijo, do seu abraço, do seu carinho... de passar tempo do teu lado... te sentir e deixar você me sentir. O abandono que tinha lugar dentro de mim sumiu quando num clarão você apareceu na minha vida. E depois que você se foi o abandono voltou deixando tudo mais escuro.
Fraqueza minha? Não sei, mas já chorei depois de conversar contigo. Chorei por lembrar que naquele dia estaríamos comemorando algo especial. Chorei por não estarmos mais ligados como estávamos. Chorei de uma forma dolorida, arrependida, sincera e sem disfarce ou cinismo algum. Chorei por saber que dentro de mim ainda resta alguma coisa daquilo que tivemos, mas chorei também por não saber se dentro de ti, resta nem que seja uma lembrança boa daquilo que vivemos. Não quero que o vento tire de mim aquilo que com muito carinho guardei dentro de mim...
Pego o celular na mão e te ligo, querendo saber se você ainda tem boas lembranças da nossa história e se ainda sente algo diferente dentro de ti. Ao ouvir o toque desligo rapidamente, pois não saberia o que dizer. Tenho medo de amar-te mais que a mim. Esquecer de mim e pensar apenas em você. São emoções que trago na bagagem da minha experiência que me impedem de viver um amor por inteiro.
Lembro-me de cada momento que tivemos juntos... os filmes, as brincadeiras, as risadas. Eternamente ficarão em minha mente... de lá nunca sairão, são minhas e somente minhas. Olho as marcas deixadas por ti dentro do meu coração, ali elas sempre ficarão. Não sei te dizer se algum dia poderei te esquecer... creio que não, tudo foi profundo e intenso. Amor igual, acho impossível de achar... amor não foi feito para ser eterno e sim intenso, e isso foi o que tivemos. Razão e emoção andavam juntamente conosco... união perfeita e completa. Dói saber que passou... dói profundamente. Ontem ficou no passado... hoje só a duvida e a incerteza... amanha já não sei se é dor, magoa ou apenas distração.
Tento através do meu olhar te contar o que sinto e o que penso. Tento dizer que quero você mais perto do que hoje estamos. Tento te dizer onde erramos e no que podemos acertar... fico na tentativa. Mas teu olhar não me diz se você quer me acompanhar.
Não falo e não espero ouvir. Tenho medo da minha reação. E por incrível que pareça, tenho medo da tua reação também. Tenho medo de me entregar de corpo e alma ou de fugir novamente ao perceber o significado que você tem pra mim. Pegaria a tua mão e diria aquilo que me coração sente, mas não me sinto preparado para manter aquilo que ele pede.
Acho cedo pra dizer que acabou, mas também penso ser tarde para tentar de novo. E se tentar de novo, poderá ser melhor do que foi? Sentia que juntos podíamos voar. Sentia você parte de mim... perto de mim... em mim... eu por completo.
Tenho medo de ouvir você dizer que nossa história é passado, e que no passado deve permanecer. Ouvir você retornar as minhas palavras dizendo que não sente nada. Que eu pra você não existo mais. Porém tenho mais medo de ouvir o contrario disso. Tenho medo de olhar nos teus olhos e dizer que ainda te amo como antes ou até mais e no retorno dado pela tua voz, ouvir da tua boca as palavras: Eu também.

30/07/2010

NADA TEM FIM

Certa noite fui dormir. Brinquei o dia inteiro e chegando a noite minha mãe colocou-me na cama e eu adormeci. Acordei no dia seguinte e tudo estava mudado. O quarto não era mais o mesmo. A cama havia mudado... e por incrível que pareça, a casa não era aquela que eu estava na noite anterior. O tempo passa e na pressa a gente não nota que a lua mudou varias vezes o seu formato.
Levantei assustado... enquanto corria procurando alguém que me explicasse o que estava acontecendo passei por um espelho. E, naquele momento eu vi que não foi apenas uma noite que se passou e sim alguns anos... uns bons anos.
O meu rosto não mostra mais a inocência de um menino de 5 anos. A idade não se mostra apenas no meu rosto... se mostra também nas falhas que já começam a aparecer nos meus cabelos. E neste mês de agosto se mostrará na folha do calendário. O vestuário da minha mãe mudou. O seu rosto já mostra marcas que expressam cansaço, cansaço causado por mim, naquela noite que eu pensei estar dormindo. Minha irmã que a alguns dias era um bebê, vira a pagina do seu diário onde anota coisas de sua adolescência, coisas que recordará pra sempre. Em vez de me arrumar para ir à escola, onde fazia o prézinho juntamente com alguns coleguinhas vou ao trabalho. Mudou o uniforme. Mudou o objetivo da minha existência... eu ainda não tinha percebido, e se tinha, fiz de conta que não.
Fui conservado em uma bolha. Longe do mundo real. Mundo que hoje faço parte e me deparo hoje com quase 23 anos e nada de concreto na minha vida. Não mudei... não cresci até hoje. Me mantive aquela mesma criança com o objetivo de brincar a cada dia até que este chegue ao fim.
Mas sabe o que é bom? Eu acordei e [...] Sempre chega a hora de arrumar o armário [...]. E a minha hora de arrumar o armário é agora. Hoje começou o meu futuro. Começou tarde, pois até então era só de presente que eu vivia a vida. Mas o que me acalma é saber que o tempo faz tudo valer a pena. Tudo é aprendizado e até os nossos erros não são desperdício. De tudo se aproveita algo.
Algumas grandes lições eu tiro disso tudo:
* Estudar sempre... alimentar nossa mente é indispensável. Isso tornando a nossa existência algo substancial e significativo.
*Buscar a Deus... alimentar nosso espírito, percebendo assim que alguém maior que eu olha por mim, se alegra por mim, chora comigo e me trás a sensação de que não estou sozinho.
* Procurar um emprego de verdade... sempre me dediquei as empresas que passei porém sem retorno (financeiro) nenhum e nem perspectiva de crescimento. Quero um lugar que eu use aquilo que aprendi até hoje.
* Ser sempre grato as pessoas a minha volta... por bem ou por mal todos nos trazem grandes ensinamentos, sendo através de sua amizade ou de sua inimizade. Todos deixam um pouco de si pra nós e levam um pouco de nós consigo.
* Amar incondicionalmente nossa família... toda ela, pai, mãe, irmãos, avós, tios, primos... todos eles são um pouquinho de nós. O sangue que corre nas minhas veias também corre nas deles. Consigo ver um pouco de mim em cada um deles. E creio que eles também vêem um pouco de si em mim.
* Ter um plano estabelecido... planos fazem com que tenhamos um objetivo para acordarmos todas as manhãs. Planos nos obrigam a correr atrás daquilo que nos trará felicidade a após atingidos, percebemos que a felicidade não estava apenas em alcança-los mas na sua busca e diária.
* Eu cresci, hoje sou um adulto, com os mesmos medos de quando era criança. Porém o monstro do armário hoje é menor que eu. Hoje sou mais forte do que era ontem. E amanhã serei mais forte do que sou hoje.
O final da minha fase de ilusão de vida acabou e com esse grand finale, um grande inicio se mostra a minha frente. Um belo livro repleto de paginas a serem escritas por mim. Na minha história eu sou o personagem principal e como o único autor dessa história, quem a faz sou eu.
Mas o desfecho da minha história fica a meu critério escolher... comédia, drama, romance...
E vejo que tudo ao meu redor muda, [...] Tudo cresce. E o inicio deixa de ser inicio e vai chegando ao meio, aí começo a pensar que nada tem fim [...]. Pois o final de algo é o recomeço de alguma coisa maior e melhor.
Aí começo a pensar que nada tem fim... e realmente, nada tem fim.
29/07/2010